O desaparecimento da posição de Makélélé

Resultado de imagem para claude makelele chelsea Ao longo de várias décadas, os sósias de Claude Makélélé, internacional francês, que passou pelo Real Madrid, Chelsea, Paris Saint-Germain ou Celta de Vigo, eram os responsáveis para comandarem o espaço em frente ao quarteto defensivo.

Mas com o passar dos anos e depois de surgir a era dourada do Barcelona, onde Sergio Busquets era referência defensiva do meio-campo culé, as melhores equipas europeias começaram a exigir mais criatividade aos seus médios-defensivos, que têm como missão principal destruir o jogo ofensivo dos seus adversários. Neste artigo será feita uma homenagem ao internacional gaulês e à função que exercia no meio-campo defensivo das suas equipas.

Quando no longínquo ano de 2003, Roman Abramovich aterrou em Londres, para se tornar dono e senhor do Chelsea, Claudio Ranieri teve dinheiro para contratar todos jogadores que quis (Wayne Bridge, Damien Duff, Adrian Mutu, Smertin ou Joe Cole, por exemplo), mas um dos alvos estava bem identificado: Claude Makélélé. Arquiteto no meio-campo do Real Madrid, Makélélé não contava para Florentino Pérez que desvalorizava o médio-defensivo gaulês e admitiu que o colosso espanhol não sentiria falta do craque francês. Há até quem diga que a saída de Makélélé do Santiago Bernabéu foi o início do fim da era dos Galáticos. 

Depois de ser escorraçado do Real Madrid, Makélélé foi para o Chelsea e o português José Mourinho soube fazer com que o internacional francês atingisse a sua melhor forma. Colocado em frente ao quarteto defensivo dos Blues, Makélélé fazia interceções e cortes intermináveis no meio-campo defensivo e quando tratava de entregar a bola aos seus colegas mais dotados tecnicamente, passava-a com passes curtos e simples, sem inventar muito. 

No Chelsea, José Mourinho tinha a ideia que contra equipas que jogassem em 4x4x2 tradicional, Makélélé poderia jogar entre linhas do meio-campo e da frente do adversário. E quando a equipa tivesse a posse de bola, o internacional gaulês teria espaço e tempo para a levar para a frente ou se estivesse sobre pressão de um adversário poderia colocá-la num colega desmarcado no meio-campo. Resumindo, a sua influência na melhor equipa que o Chelsea teve naqueles anos, com José Mourinho no comando técnico, foi de tal maneira gritante que a posição de médio-defensivo ficou batizada como posição Makélélé.      

Mas a era dourada dos médios-defensivos destruidores de jogo chegou ao fim quando as grandes equipas europeias, por influência do Barcelona, começaram a exigir mais posse de bola ao médio mais recuado no terreno de jogo, transformando-o, assim, num criador de jogo (como se sucedeu com Sergio Busquets no Barça de Pep Guardiola). Mas Guardiola apostar em Busquets, Guardiola foi aposta de Johan Cruijff, quando o holandês regressou a Barcelona em 1988. Então, com 17 anos, Guardiola era um médio que jogava mais nas alas e passou a atuar mais recuado no meio-campo blaugrana (e só foi aposta de Cruijff, porque o Barcelona falhou a contratação de Jan Molby ao Liverpool). A partir daí, um jovem Pep Guardiola tornou-se figura de relevo na equipa blaugrana, que formou a famosa Dream Team de Cruijff e que foi o berço do estilo de jogo do tiki-taka, que haveria de vencer a Liga dos Campeões, em 1992, diante da Sampdoria. 

E como treinador principal, no Barcelona, Pep Guardiola ainda chegou a utilizar Javier Mascherano como médio-defensivo, mas cedo promoveu um jovem Sergio Busquets ao plantel principal e colocou-o como médio-defensivo, criador de jogo, da equipa culé. E a lógica até era bem simples: enquanto que Mascherano abrandava o jogo, como Makélélé fazia e bem, Busquets já era capaz de avançar a bola mais depressa - caraterística do famoso tiki-taka

Este sucesso do Super Barcelona de Pep Guardiola e do seu estilo de jogo também ajudou a colocar em prática a era do criador de jogo mais recuado no relvado. Como diz o velho ditado popular "a prevenção é melhor que a cura" visto que o melhor agora é as equipas manterem a posse de bola em vez de andarem a recuperá-la. E essa inovação de Johan Cruijff e de Pep Guardiola já se vê noutras equipas, como, por exemplo, o Real Madrid, onde o croata Luka Modric é um dos médios mais recuados que cria o jogo do emblema merengue.   

Em suma, muita gente diz que o futebol é momento e isso tem uma grande dose de verdade. Pode durar muitos e muitos anos, mas é quase certo que a posição de Makélélé irá regressar. Mas fica a seguinte pergunta no ar: qual será o próximo jogador que voltará a definir a mesma posição no campo.  

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